De massa doce, com cobertura crocante, a cuca é uma das delícias da culinária gaúcha

Cuca de uva

Alguns alimentos são tão ligados à cultura de uma região, que muitas vezes se torna mais fácil fazê-lo do que explicar do que se trata. É o caso da cuca, uma das delícias da culinária do Sul do Brasil. Desde que me tornei o gaúcho mais pernambucano que meus amigos conhecem (um título que venho cultivando há 25 anos), me deparo com a inevitável pergunta: Mas, afinal, o que é cuca? Até hoje nunca consegui dar uma resposta satisfatória, até que o meu interlocutor tivesse a sua própria experiência gustativa.

A Wikipédia classifica, entre as suas definições, a cuca como um bolo de massa doce, com cobertura crocante. Concordo somente a partir da massa doce. Um bolo tem sabor característico, leva fermento químico, sua massa é quase líquida e fermenta dentro do forno. A cuca segue mais o processo de um pão. Pede fermento biológico, a massa precisa ser sovada e fermenta antes e durante o processo de cocção. Então, o mais lógico seria dizer que essa delícia de origem alemã (streuselkuchen) transita entre um pão levemente doce e um bolo.

Definições à parte, o fato é que esse bolo-pão é realmente gostoso e cai muito bem com café. Existem várias receitas de cuca. As mais populares na Serra Gaúcha, região de onde eu venho, são as cucas simples (somente com cobertura crocante ­- uma farofa de manteiga, açúcar e farinha) e as de frutas (de uva e de banana são as minhas preferidas).

As cucas têm preparo relativamente simples e, assim como seus ingredientes, sem grandes segredos. Para mim, a única dificuldade está na hora de bater a massa. A palavra dificuldade chega ser um exagero, mas, para quem não tem uma batedeira com pás apropriadas para pão, a sova da massa exige um esforço a mais, já que é um pouco pesada. Mas nada que impeça alguém de fazer.

Para quem nunca viu, não comeu ou já provou e morre de vontade de comer mais um pouquinho, a Cozinha do Gaúcho traz essa semana uma receita de cuca de uva. Você pode substituir uvas por outra fruta de sua preferência. Espero que gostem. Eu adoro!

Ingredientes

  • 4 colheres de sopa de manteiga
  • 1/2 xícara de leite
  • 1/2 xícara de açúcar
  • 1 pitada de sal
  • 2 ovos
  • 3 3/4 de xícaras de farinha de trigo
  • 20g de  fermento biológico
  • 1 cacho de uvas Isabel, cortadas ao meio para retirar as sementes

Prepare a massa

Ative o fermento com duas colheres de açúcar, duas de farinha e leite morno o suficiente para a hidratação. Reserve por dez minutos.

Derreta a manteiga no leite morno. Em seguida, misture a farinha, o açúcar, o fermento, ovos, sal e o leite com manteiga. Bata bem com colher de pau ou na batedeira com gancho próprio para pães até obter uma massa lisa. Cubra o recipiente com filme plástico e deixe a massa crescer por 40 minutos.
Enquanto isso, faça a farofa, misturando doze colheres de farinha de trigo, oito de açúcar e quatro de manteiga em temperatura ambiente. Amasse com as mãos até formar a farofa.
Depois de a massa crescer e dobrar de tamanho, bata novamente com a colher de pau somente para a retirada do ar. Unte uma assadeira (ou duas, dependendo do tamanho), coloque a massa, espalhando com ajuda de uma colher de pau ou espátula (fica mais fácil de espalhar se você molhar a colher ou espátula, antes de alisar a massa). Depois distribua sobre a massa as uvas e, por cima, a farofa. Deixe crescer por mais 30 minutos e, então, leve ao forno pré-aquecido 180º por 45 minutos (dependendo do forno, um pouco mais).

Se preferir a cuca simples, é só não colocar as frutas.

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Eduardo de Azevedo

Nasceu em Porto Alegre, mas cresceu na cidade de Canela, na Serra Gaúcha. Formado em jornalismo pela Unisinos, em São Leopoldo/RS. Radicado em Pernambuco desde 1993